Papos de Mãe.

Oi Gente,

Bom pra começar eu já passei da fase do romantismo da maternidade, sim ter um filho especial é um choque de realidade, um tapa na cara. Hoje eu vejo o quanto isso foi bom e me fez parar de achar que tudo é lindo, foi um ótimo começo para eu me sentir uma mãe mais real e melhor.

Se não me engano a minha primeira “crise” foi bem recente, poucos meses antes de descobrir que o Heitor é autista e isso deve ter no máximo 2 anos. Começou a me bater uma tristeza, aquela sensação de que “Meus Deus o tempo está passando e eu estou sendo só mãe, esposa e dona de casa” e fiquei me questionando o que eu havia feito para mim nos últimos anos. Não posso dizer que não foi nada, mas posso afirmar que foi pouco. Tudo era sempre pensando nos filhos e no marido e sempre o fiz porque gostava e me sentia bem assim. Mas chegou o momento em que ME colocar de lado me afetou e eu precisava achar um equilíbrio para essa situação, até porque se eu não estou bem as coisas ficam mais difíceis.

Foi nessa época que surgiu o blog, que por sinal foi ideia do meu esposo, como uma forma de ocupar o meu tempo com algo que fosse só MEU e que me desse prazer em realizar. Aliás vamos agradecer ao marido, porque graças a ele estamos aqui hoje rsrs

Eu nunca fui de pedir ajuda para cuidar das crianças, sempre me senti na obrigação com eles e por isso não foi tão difícil me mudar pra longe da família, o que de certa forma eu agradeço. Fato que quando não pedimos ajuda vamos nos fortalecendo e sentindo que somos capazes de enfrentar as dificuldades do dia a dia. Tudo bem talvez eu seja um pouco orgulhosa nesse ponto, mas eu sou assim, fazer o que?! Teve um momento que eu cedi a esse orgulho e pedi ajuda, para coisas simples e isso foi me fragilizando demais. Então eu preciso me manter forte.

E como parte de manter forte está incluído não participar mais de conversas de mãe como na maioria das vezes acontece: “ah meu filho come de tudo”, “o meu dorme cedo”, “o meu não assiste TV” e por aí vai e se o seu filho não está com a maioria você se cobra e se sente mal por isso, quando na verdade cada criança é de um jeito, cada casa tem um ritmo e uma história. Muitas vezes esse tipo de conversa surge naturalmente sem a intenção de julgar a mãe do lado, mas não funciona, porque normalmente a gente fica só refletindo e procurando uma justificativa ou até mesmo um culpado para seu filho não comer bem ou não fazer todas as coisas boas que os filhos das outras mães fazem. Isso é destrutivo.

Eu amo demais os meus filhos mas eu sei das dificuldades que é criar e educar, assim como se você é mãe sabe também. Então pra que fingir que não existe irritação, stress, raiva, culpa, arrependimento e muito amor no meio dessa loucura que é ser mãe?

E se eu entrar numa roda de mães eu vou ser a antipática que não “ama” os filhos ou vou ter que fingir que a maternidade é um conto de fadas e sinceramente eu não concordo com nenhuma das alternativas. Acho que nós mães ainda temos muito que mudar para poder sentar e conversar numa boa sem julgamentos e cobranças. Só que isso faz parte de uma cultura que já começou, bem aos poucos a mudar.

O que eu quero com texto? Que cada mãe pense um pouco antes de começar uma conversa e sair por aí contando as coisas boas e certas que faz. A maternidade não é uma receita de bolo que basta você seguir, somos seres humanos, cada um tem suas experiências, sua história, a “bagagem” que a vida deu para cada pessoa. E acho que juntas temos muito a ganhar inclusive com o convívio dos filhos, que vão aprender a respeitar os colegas e a gostar deles do jeito que são.

E é claro que eu já saí por aí contando meus feitos numa rodinha de mães, mas é preciso mudar, ir em frente, evoluir, é um exercício diário. Uma mãe já é cobrada demais, por ela, pelo marido, filhos, sogra, mãe e etc…

Eu costumo dizer aqui em casa que temos que tomar as decisões pensando no futuro, nas consequências que elas terão, sabendo que o que estamos plantando é o que vamos colher.

Nós aqui só queremos colher bons frutos e realmente acredito que estamos no caminho…

Beijos e até a próxima.

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2 Comentários

  1. Juci

    Bem isso, nao é conto de fadas mesmo, tenho 4 filhas, hoje ja grandinhas duas quase moças, mas nao é um mar de rosas a maternidade nao, mas tudo é uma fase que vamos superando e aprendendo

    Responder
    1. Comadre (Publicações do Autor)

      Exatamente Juci e com o tempo vamos conseguindo levar de uma forma mais leve, sem muitas cobranças. Beijoss

      Responder

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