Meus dias de luto.

  Olá leitoras e leitores!

 

O tema de hoje já está nos meus planos para o blog a tempos, pois sei que vocês gostam de ler meus relatos sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) que meu filho Heitor está enquadrado. Confesso que nem sempre quero escrever porque pra mim é cansativo e um pouco desgastante, acredito que um dia isso mude.

Gostaria muito de falar sobre esse assunto: O Luto. Eu mesmo não entendia meus sentimentos e não conseguia encontrar palavras que definissem eles da maneira que eu queria externar. Um pouco confuso, mas é isso mesmo. Aí um dia eu fui ler o Blog Lagarta Vira Pupa, e não me lembro como fui parar no post que ela falava sobre o luto dela, e tudo fez sentido pra mim, é como se eu tivesse conseguido organizar tudo aquilo que se passava comigo.

Quando o Heitor era pequeno eu tinha uns dias de choro, insegurança e um sentimento de que ele iria ficar pouco tempo conosco, eu não sabia explicar o porquê. Quando veio o diagnóstico esse sentimento foi embora como num estalar de dedos, mas eu estava mais focada em digerir tudo o que estava acontecendo do que entrando entender o motivo desse medo ter ido embora.

Então, após três meses do diagnóstico e os trabalhos intensos, veio a tristeza, o medo do futuro incerto e se eu iria dar conta dessa missão e foi aí que entendi que estava vivendo o luto.

Mas Amanda, porque luto? Porque quando uma mulher engravida ela sonha, imagina, deseja, cria expectativa de como será a vida desse filho. Como ele vai ser, se vai casar, qual profissão vai escolher e etc. e eu como toda mulher passei por isso. Descobrir que seu filho pode não ter a possibilidade de vivenciar todos esses momentos por ser especial é o fim de todas as expectativas. É um soco no estômago, mas não é o fim de tudo, longe disso, é o recomeço de uma vida, onde eu abandonei aqueles sonhos e passei a tentar viver mais o presente sem grandes planos pra ele ou para nós e comecei a conhecer o meu filho como ele realmente é.

Ao longo desses 9 meses de diagnóstico passamos por muitos desafios, frustrações, apresentações não “apresentadas” na escola, tentativas frustradas de passeios e tantas outras atividades que são simples no dia a dia de uma família. Nessas horas o melhor a fazer é se apegar ao amor que você sente por esse filho ou filha e se unir ao seu companheiro (a) para encarar esse desafio de frente.

Houve um tempo em que me culpava muito por não conseguir fazer aquele passeio de família feliz, me doía deixar o Heitor em casa e ir passear, mas entendi que se ele for é estressante pra ele e para todos nós, logo o melhor é nos poupar e fazer com ele algo que ele goste.

Durante esse tempo vivenciamos o mais puro amor que uma pessoa pode demonstrar a alguém.

Gostaria de terminar esse post dizendo que é muito difícil, mas é possível ser feliz sim e muito. A cada avanço uma grande alegria, uma emoção. Hoje foi uma das primeiras vezes que conseguimos sentar em um café e comer sem ter que sair correndo porque o Heitor não estava nervoso. Foi um lindo passeio numa tarde de inverno.

Heitor carrinho

Brincando enquanto espera

Heitor Brigadeiro

Comendo “Coate” como ele mesmo diz

Heitor Caminhando

Não deixou o “coate” nem na hora de voltar pra casa.

Se você acha que este relato pode ajudar outras pessoas não deixe de compartilhar.

Beijos e até a próxima.

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6 Comentários

  1. silvana

    Lindo seu relato,te conheço algum tempo e te admiro pela força que você tem. Que Deus abençoe sempre vocês, pois sei que
    é uma mãe e esposa dedicada, e um mulher muito vaidosa. Parabéns .. Parabéns !!! Seu filho é lindo, sua família é linda !!
    Beijo grande !!

    Responder
    1. Comadre (Publicações do Autor)

      Obrigada por todos os elogios. A gente está sempre em busca o melhor né, Beijoss

      Responder
  2. Sandra miguel

    Seu filho é lindo. Passei por isso tb. Sou mãe de gêmeos autistas. Muita força. Deus te abençoe!

    Responder
    1. Comadre (Publicações do Autor)

      Olá Sandra, obrigada!! Força pra você também e muito amor. Volte sempre. Beijos

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  3. Alessandra Nunes

    Lindo relato.Adoro ler suas postagens.

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    1. Comadre (Publicações do Autor)

      Obrigada Alessandra!!! Beijos

      Responder

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